domingo, 9 de março de 2008

Cat Power – Jukebox


Arrasador. É assim que posso tentar descrever este álbum ! E o incrível é que mesmo sendo arrasador é calmo. São os detalhes que fazem dele um álbum assim. A produção é impecável e os instrumentos estão com timbres perfeitos, a começar pela bateria, com bumbo “gigante” e caixa suja que junto com o baixo aveludado fazem a cama para o excessivo e proposital eco na voz e guitarras. A sensação é a de que estamos dentro do estúdio, no meio da gravação. Só ouvindo para entender.

A primeira música me fez levar um susto. Há muito tempo não ouvia algo assim, a gente começa a ouvir e a surpresa é inevitável. Power, teve a coragem de fazer uma releitura de "New York, New York". E o que tinha tudo para ficar ridículo, ganha para mim sua única versão possível depois da original. E o melhor é que, mesmo tendo ficado espetacular, em rápidos dois minutos, "New York" vira a esquina e desaparece.

Em seguida entra “Ramblin' Woman” que mantém o clima blues e sombrio, suave, guitarra preguiçosa e pianinho nota a nota com ela cantando “I love you, I love you baby” e depois “Metal Heart”, amarga, com a guitarra encarnando o próprio Coração de Metal, com a música crescendo e a voz descartando qualquer rótulo “Indie” que a moça possa ter ... ela é Rock !!!

“Silver Stallion” nos deixa respirar por alguns minutos e prepara para “Aretha, Sing One For Me”. Esta última mostra o que Cat Power é capaz de fazer com as músicas que caem na sua mão, vale a escutada na original cantada pelo George Jackson (1972). Ela transforma tudo em Rock da melhor qualidade! Depois dela cantar você pode imaginar qualquer grande banda cantando. O álbum dá uma segurada em “Lost Someone” (James Brown) e “Lord, Help The Poor & Needy” para chamar “I Believe In You” (Bob Dylan).

Depois o álbum deixa o Rock um pouco de lado e toma uma cara mais intimista com as belas “Song To Bobby”, “Don't Explain” (Billie Holiday) e mais uma vez Power acerta ao escolher o caminho a tomar com “Woman Left Lonely” (Janis Joplin), que ganha uma versão suave e não compete com Joplin.

Cat Power é o pseudônimo de Chan Marshal, que nasceu em 1972 em Atlanta (EUA) e iniciou sua carreira aos 17 anos quando largou tudo e foi para Nova York. Em 1994 foi descoberta por dois músicos que s entusiasmaram com sua voz e seu trabalho. Eram o guitarrista do "Two Dollar Guitar", Tim Foljahn, e o baterista do "Sonic Youth", Steve Shelley, que a convidaram para lançar dois discos, gravados juntos em um único dia. “Dear Sir” saiu em 1994 pelo selo italiano "Runt" e, no ano seguinte, “Myra Lee” pelo "Smells Like Records". Seu terceiro álbum , “What Would the Community Think?”, de1996, já foi lançado pela Matador Records e em 1998 veio o elogiado “Moon Pix”.

Em 2000, Power lança “The Covers Record”, em 2003 um disco de inéditas “You Are Free”, em 2006 “The Greatest” e ao fim de 2007 este aí “Jukebox”.

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