sábado, 24 de novembro de 2007

Jay Vaquer - Formidável Mundo Cão

Lá vai a terceira boa surpresa. Há muito tempo não parava para pensar se um álbum nacional de um artista novo era bom ou ruim, pois em tempos de CPM 22, Detonautas, Pitty, etc... minha vida de Rock nacional era toda ruim..

Jay Vaquer está sendo uma bela surpresa. Com uma voz bem parecida com a do Pedro Mariano, Vaquer é filho da Jane Duboc com o guitarrista americano Jay Anthony Vaquer, é carioca e começou de fato sua carreira no ano 2000 participando do musical Cazas de Cazuza e, depois do sucesso do musical, lançou seu primeiro disco, “Nem Tão São”, pela Jam music. Em 2004 gravou seu segundo álbum, "Vendo A Mim Mesmo", com 13 faixas e seu terceiro álbum, "Você Não Me Conhece" veio em 2005 pela gravadora EMI.

Este é seu quarto álbum e foi lançado este ano, sendo a faixa título do Cd uma corajosa pancada de realidade e só não é a melhor do Cd, pois o álbum tem a fantástica “Estrela de Um Céu Nublado”, com a (ótima) participação da Meg Stock (Luxúria). A música é uma “Faroeste Cabloco” do Rock, conta uma história gigante e crua, num ritmo tenso e com refrão. Além delas, a primeira do álbum “ Poder Demais” é ótima de ouvir. “Longe daqui” e “Breve Conto de Um Velho Babão” também são no esquema de história, com boas letras. “Por Um Pouco de Paz” agrada muito e ele só peca um pouco quando tenta as músicas mais lentas, mas nada que comprometa. Suas letras são atuais e a sonoridade é cheia de surpresas, com excelentes músicos na banda, e produção de primeira. O som é redondinho.

Ouvir este Cd do Jay Vaquer é uma necessidade para qualquer um que imagine que há salvação no Rock por aqui.

Radiohead - In Rainbows


Bom, a segunda boa surpresa que tive esses dias foi este Cd aí de cima, aliás Cd não, álbum, compilação de músicas, trabalho ou o que quiserem chamar as novas músicas que o Radiohead disponibilizou em seu site oficial com preços a escolher.

Deixando as polêmicas de lado, já que os caras conseguiram desagradar as grandes gravadoras e as bandas novas ao mesmo tempo (!!??), o trabalho me surpreendeu, apesar de achar que deve ter desagradado os fãs mais fervorosos, ou até por isso mesmo. Há uma mudança no estilo. Este álbum é mais agressivo, tem um pouco mais de gás, e não apenas a melancolia Radioheadiana, a começar pelas inspiradas “15 Step” cheia de batidas e guitarras e baixos e teclados cada um entrando em um momento e “Bodysnatchers” com superbaixo distorcido para ouvir alto.

“Nude” remete ao pouco de Radiohead que eu conheço, mas nesse novo contexto agrada e muito. A seguir vem a viajante “Weird Fishes/Arpeggi” maravilhosa e a melhor do álbum. “All I Need” mantém o nível e aconselho ainda a “Reckoner” e “Jigsaw Falling Into Place”.

Este é o sétimo álbum deles que começaram em 1987, mas só tiveram seu primeiro álbum, “Pablo Honey”, lançado em 1993 depois de terem a música “Creep” estourada nas paradas. Em 1995 veio o “The Bends” com a balada “Fake Plastic Trees” também estouradíssima. Mas foi com “OK Computer”, dois anos depois, que chegaram ao ponto máximo que um grupo pode chegar. O álbum foi eleito por revistas especializadas como o “melhor de todos os tempos", vendeu 4 milhões de cópias e faturou um Grammy. Em 2000 veio o não tão badalado “Kid A” e em 2002 o “Amnesiac” que também teve pouca repercussão. O sexto álbum “Hail to The Thief” volta a empolgar e marca o fim da relação da banda com as gravadoras.

Procuro não ler críticas antes de postar aqui, mas tenho certeza de que exatamente por ser mais fácil de gostar este álbum deve ter recebido críticas ruins. Mas eu digo uma coisa, talvez seja o álbum que faça a mim e a alguns outros se interessarem pelos seis anteriores e, polêmicas a parte de novo, fiquei fã dos caras ao colocarem tudo de graça, ou por quanto cada um achar que vale.

Eu não paguei nada... mas vou consumir mais Radiohead a partir de agora. E, para mim, aí está a grande questão....Qual é o valor disso ?

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