terça-feira, 6 de novembro de 2007

Maria Rita - Samba Meu


Junte compositores sempre inspirados, músicos de primeira e uma cantora com uma voz abençoada e teremos um trabalho primoroso, certo ? Errado! Maria Rita peca desde o início, desde o título do CD, “Samba Meu”.

Longe de ser um Cd ruim, não é, não mesmo. Mas é um Cd esquisito, falta alguma coisa, as música são ótimas, os músicos maravilhosos, tudo de primeira, mas...definitivamente acho que o problema é ela, ela não é do samba, e nem tentou ser, falta malandragem, malemolência, desgarro, erro, sei lá... falta alma!

O Cd Já começa com um samba triste pra baixo, pra moderninhos, meio “cult” (nada no samba pode querer ser cult). E aí meu mal humor com o disco começou. A seguinte “O Homem falou”, do Gonzaguinha me irritou mais ainda, é uma ode ao desfile das escolas de samba. Ela tem seu momento e não é num CD de samba da Maria Rita.

A partir daí entra em campo um dos melhores compositores de samba da história, Arlindo Cruz, com a ótima “Maltratar não é direito”, que sem dúvida deveria ser a primeira música do CD, e aí fica fácil para ela. Depois vem “Num corpo só”, também dele, que é a cara da Maria Rita, e talvez a segunda melhor do CD. Ele ainda emplaca a leve “Tá perdoado”, a normalzinha “pra declarar minha saudade”, a pagodesca “O que é o amor” e (ufa!) a dificílima de cantar “Trajetória”. Total, 6 músicas do Arlindo Cruz.

“Mente ao meu coração”, originalmente cantada por Paulinho da Viola, é um choro de primeiríssima, lindo e ficou maravilhoso com ela, tiro certo! Está aí disparada a melhor do Cd.

“Novo amor” e “Maria do Socorro” de Edu Krieger ficaram bobinhas na voz dela. De novo, essas músicas claramente não pertencem à MR, ela precisa pegar muito sol pra cantar isso.

Já sem muitas esperanças chegamos às duas últimas músicas do Cd que apenas continuam... sem nada de novo.

Talvez o erro do Cd tenha sido a falta de humildade do título, tenho certeza de que se fosse “samba deles” ouviríamos com muito mais carinho e paciência, pois o samba não é presunçoso, é humilde, cru. A única cantora hoje da MPB “chic” que pode se dar ao luxo de entrar no meio do samba chama-se Marisa Monte, e até hoje ela quase se desculpa, pede a benção e licença antes de cantar.

Continuo gostando muito da Maria Rita e vou continuar ouvindo sem empolgação o “Samba Meu”, pois ao fim das contas o Cd não é ruim, só falta alma.

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