terça-feira, 30 de outubro de 2007

Louis Prima - The Wildest


É inacreditável que eu tenha chegado até essa idade sem nunca ter ouvido este álbum magistral. “Louis Prima – The Wildest” é um dos álbuns que deveria ser obrigatório na escola, simples, ingênuo e delicioso. Jazz, jazz, jazz, com uma pitada de Rock´n Roll. Vale lembar que à época, NÃO EXISTIA ROCK !!

A obra começa com a radiante “Just A Gigolo/ I Ain´t got Nobody”, vale prestar atenção principalmente na dinâmica da música, garavada ao vivo (é claro!), pois esse gás só se tem ao vivo. Segue com a rapidinha e ótima “For My Baby”, na voz de sua companheira de palco e mulher Kelly Smith, 21 anos mais nova (ela tinha 22 quando gravou), passa pela brincalhona “The Lip” e encontra a “Body And Soul”, onde Prima mostra todo seu talento de músico e instrumentista. A música é perfeita, o ritmo, a dinâmica e, principalmente, seu poderoso trompete. Ele faz o que quer com a música!

O que se segue é uma vontade enorme de ter estado dentro do estúdio no dia dessa gravação. Enquanto Prima esbanja em seu solo na ótima “Oh Marie” ouvem-se as vozes dos músicos rindo, gritando e assoviando ao fundo, maravilhosamente empolgados!

A Medley “Basin Street Blues”, depois “Jump, Jive An Wail” e “Buona Sera”, são uma viagem de primeira classe à New Orleans. “Night Train” é um strip tease, e a obra fecha no melhor estilo com toda a Big Band tocando alto, os trompetes duelando, todo mundo conversando ao fundo naquela que hoje é uma das músicas mais cantadas nos estádios de futebol, “You Rascal You”, impossível não lembrar.

Prima, nasceu em Nova Orleans e costumava tocar em clubes locais na década de 30 e 40 e depois em Nova York Em 1954 se viu sem trabalho e foi parar em Las Vegas com sua mulher. Lá conseguiu de favor umas apresentações no lounge do Sahara, e para isso contratou o jovem saxofonista Sam Butter para liderar a banda. O sucesso foi imediato e o que aconteceu depois foi a gravação deste álbum em abril de 1956.

Eu tenho restrições ao Jazz, não sou seu maior fã, mas esse álbum me fez esquecer qualquer pré-conceito, ou barreira e só lembrei disso depois que já tinha ouvido os voadores 32 minutos de álbum umas três vezes. Este álbum é mais do que imperdível, é fundamental!

sábado, 20 de outubro de 2007

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Já tinha visto este livro há alguns meses, mas fugi da livraria, literalmente. Da última vez, que o vi, na Saraiva, peguei, folheei, namorei e passei no scanner de preço – R$ 98,00 ! Felizmente, resolvi dar uma olhada na saraiva.com – R$ 47,00 + frete, como pedi para pegar na loja, não tem frete ! Ou seja, R$ 47,00 !! Menos da metade do preço. Bem, o livro chegou ontem.

Achei que ele ficaria na sala de casa para, de vez em quando, eu ler sobre um ou outro CD, sem maiores compromissos. Ledo engano, estou lendo compulsivamente página a página, ordenadamente, e tentando ouvir Cd a Cd cronologicamente. Sei que não vou gostar de tudo, sei que o livro é escrito por americanos, e sei que nem de longe haverá menções à todo arsenal maravilhoso e criativo da música brasileira ou até da latino-americana e sei mais ainda que não é por causa dele que vou virar um expert em música mundial. Mas uma coisa é ouvir Frank Sinatra, Elvis Presley, Beatles, Beach Boys, ACDC, The Clash, Marvin Gaye, etc, etc, etc.e outros à toa, e outra coisa é situá-los no tempo, saber o que foi aquele disco, como e porque ele foi gravado e o que representou.

Vou ficar maluco, eu sei, pois agora mesmo estou ouvindo o primeiro da lista e adorando. Mas uma frase escrita por um dos autores na introdução do livro me alivia.

“ De minha parte aprendi muito durante os meses em que estive envolvido com a produção deste livro. E posso afirmar com toda a certeza: Não é possível sofrer uma overdose de música.”

Então... ao vício ! Liberado para ser lido e ouvido compulsivamnente !!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

U2 - The Unforgetable Fire

É, às vezes preciso subir à superfície para respirar um pouco e às vezes, mas só as vezes, me dou conta que estou ficando velho. Estava ouvindo U2, The Unforgetable Fire e comentei com uma pessoa que trabalha comigo sobre a qualidade deste cd, na verdade eu disse, pqp, esse Cd é bom pra C#$#alho !! E, para minha surpresa eu ouvi a resposta que eu dava para meu pai quando ele me mostrava alguma coisa interessante (me lembro até hoje do Bread, achei ótimo, mas falei para ele que era velhinho!), “-- é velhinho isso, não?”.

Como daqui há 50 anos o que tocava em 2007 e o que tocava em 1987 serão igualmente velhos e farão parte da mesma pré-história, e como a função aqui é expor meus dramas musicais, lá vai !!

Eu considero o "The Unforgetable Fire" o trabalho mais legal do U2! Calma, eu explico. O primeiro disco (isso mesmo, disco de vinil mesmo) do U2 que eu comprei foi o “The Joshua Tree”, que eu e meio mundo considera o melhor trabalho da banda. Mas, gostar do “Joshua” é mole !

Depois do “Boy”, “October” e “War”, o U2 já era reconhecido como uma ótima banda e fazia um certo sucesso, e em 1983 veio o “Under a Blood Red Sky”, ao vivo, sedimentando esse suceeso. Então, em 1985, eles lançam o “Unforgetable Fire”, rompendo com o estilo pré existente da banda, meio Punk e que, sem nenhuma dúvida, cansaria em breve.

O álbum, tem uma cara de independente e dá a impressão que eles se libertaram de alguma coisa, leva a banda para um lado mais calmo, mais maduro, mais “triste”, e isso na minha opinião é o divisor de águas do U2. Após esse álbum vieram o "Joshua Three" e o "Rattle and Hum". Então, por isso considero ele o mais interessante, pois é o momento que antecede o êxtase !!!

As faixas “A Sort Of Homecoming” e “The Unforgetable Fire” são obras primas da música pop, não cansam, não ficam velhas. “Wire”, guitarraça the Edge e baixo slap raramente visto, rasga. “Pride”, claro, no comments... “Promenade” é bela e corajosa. “Bad” é um marco, mostra como será o U2 nos 20 anos seguintes. E por aí vai todo álbum transcorrendo copo um copo de água gelada.

“Walk on by, walk on through,
Walk till you run.
And dont look back.”

E os caras foram mesmo, sem olhar pra trás !

domingo, 14 de outubro de 2007

Midlake - The Trials of Van Occupanther


Comecei com o Midlake por causa de uma música que ouvi e achei ótima (Roscoe), me soou antiga e moderna ao mesmo tempo, então resolvi conferir o trabalho dos sujeitos.

Pode parecer que tenho dado sorte, na verdade tenho sim, um pouco, mas de vez em quando ouço umas porcarias que estou evitando postar. Bom, digo isso porque o Cd do Midlake, The Trials Of Van Occupanther, é muito bom, mesmo. Ele é todo assim, passado e futuro, a flauta convive com o sampler de bateria, que convive bem com a voz dobrada, com o piano acústico e com o violino. Parece Al Stewart (Roscoe), parece Eagles (Head Home) parece A-ha (Young Bride), parace Kings Of Convenience (Van Accupanther) enfim, parece Midlake !! Eles têm um som deles, é uma banda com identidade, pois quando uma banda se parece com um monte de gente tão diferente é porque conseguiram se achar.
E eu podia jurar que eles eram europeus, perderia minha aposta feio. Eles são, acreditem, americanos, do Texas. O que me acalma por ter errado feio, é que apesar de americanos, fizeram sucesso primeiro na Europa !!
A banda, formada em 1999 por Tim Smith (vocal, guitarra, teclado), McKenzie Smith (bateria), Paul Alexander (baixo), Eric Nichelson (guitarra), and Evan Jacobs (teclado), todos estudantes de Jazz da University Of North Texas, lançou seu primeiro trabalho com o nome de The Cornbread All-Stars e era muito influenciada pelo Jazz/Fusion. Após esse início a banda adentrou totalmente no Rock, Indie, sob influências de Radiohead, Travis e outros.
A estréia com um álbum completo é em 2004 com o Bamnam and Silvercook, gravado em casa e masterizado nos famosos Abbey Road Studios e mostra o novo rumo low profile psicodélico-eletrônico que a banda havia tomado. Em 2006, lançam pela gravadora independente Bella Union esse The Trials Of Van Occupanther.


Mais uma banda ótima, com um Cd incrível e que “ninguém” conhece ! Definitivamente se alguém que “entende” de música disser que a internet atrapalha o mercado, não entende nada de nada, muito menos de música. Quando eu teria a oportunidade de ouvir Midlake? Só quando tocasse no rádio !!! Ou seja, nunca, pois Midlake nunca vai tocar na rádio e mesmo que toque, não sei mais o que é isso.

domingo, 7 de outubro de 2007

Jimmy Eat World


Gostei, aliás gostei muito ! Uma banda que tem a coragem de fazer um CD com 15 músicas e uma delas ter 16:13 minutos, deve ser ouvida. O JEW é a eterna banda alternativa dos EUA e chegaram até a tocar na festa de casamento guitarrista e vocalista do Blink 182. O título “alternativo” deve-se talvez a hibridez do som ou porque sua sonoridade não soa “EUA” (já pela faixa 1 – Table for Glasses, espetáculo). É uma mistura de New Order ( Faixa 2 – Denver Mint !! Puro NO), Indie Rock e Pop, porém sem a mínima rendição ao Pop. Dá pra sentir durante todo o CD uma necessidade de fuga do sucesso, quando se acha que o Cd vai ficar Pop (faixa 4 – Believe In What You Want e 5 – A Sunday, ótimas), vem em seguida a excelente faixa 7 “12.23.35”, completamente “out” e a faixa 8 “Ten” (a melhor do CD). Daí pra frente é tudo legal e a grande surpresa fica na faixa 13 – Goodbye Sky Harbour, com inacreditáveis 16 minutos de suave, hipnotizante e boa música.

A banda foi formada em 1994 no Arizona e seu primeiro Cd, lançado pela gravadora independente Wooden Blue Records, teve repercussão zero. Em 1996 a Capital Records adota a banda e lança “Static Prevails”, mas não investe nada na banda e com isso eles lançam mais dois Cds independentes (nada mais underground, chutar a Capitol e lançar 2 Cds por conta própria!!), o “Singles” e outro Ep. Este CD aí de cima “Clarity” foi lançado em 1999 e é classificado como “difícil de assimilar, pela complexidade musical” (adoro isso) e novamente a Capitol não dá a mínima para o Cd, porém na cena Alternativa o JEW chega aos mais altos patamares que uma banda pode chegar.

Enfim o JEW deixa a Capitol e vai para a Dreamworks lançar o Bleed América, em 2001, que depois comento aqui.

Apenas um parêntese, a banda tem um som tão indefinido que dependendo do rumo que tomam pode ficar não tão boa. Não gostei das música mais pesadas, são bobinhas e soam adolescentes. Ou seja, Jim Adkins (vocal e guitarra), Tom Linton (guitarra e back vocal), Rick Burch (baixo) e Zach Lind (bateria) são legais quando são alternativos mesmo.

JEW - Clarity é imperdível !

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A-Ha - Analogue


Confesso que nunca fui fã de A-ha. Quando eles estouraram do lado de cá, plena década de 80, eu ainda estava sob os efeitos do Rock Nacional e cultivava aquela implicância adolescente por bandas com grandes arranjos eletrônicos. Baixo, bateria, milhões de teclados, tudo eletrônico. Eu definitivamente não gostava.
Bom, algum tempo passado desde as festinhas de 15 anos, me deparo com o CD Analogue, de 2005. Aí veio aquela nostalgia e a surpresa de ver a banda ainda em atividade, embora completamente esquecida por aqui. Baixei e ouvi. Ouvi uma, duas, três, sei lá quantas vezes mais. O CD é muito bom e totalmente diferente do A-Ha que temos na memória. A introdução fica por conta de Celine, com uma levada dinâmica e muito bem construída. Seguida por Don't Do Me Any Favours onde violão e guitarra assumem o lugar dos infindáveis teclados dos anos oitenta. Vamos pular Cosy Prisions que é meio chatinha e vamos a música que dá nome ao álbum Analogue é a melhor do disco. Não vou comentá-la. Birthright até que lembra as melodias dos 80, é uma baladinha legal. E o disco segue com Holyground, Over The Treetops, Halfway Through The Tour, The Fine Blue Line, Keeper Of The Flame, Make It Soon, White Dwarf, terminando com The Summers Of Our Youth. Todas estas mais intimistas. Tá bom, meio chatinhas mesmo, mas vale ouvir e ver que apesar do frio norueguês os caras estão em forma!
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